Do lead ao contrato: o mapa completo de qualificação e venda cruzada
Este documento organiza, em um único fluxo, a jornada do lead desde a chegada até o contrato — com as perguntas de qualificação, os documentos que comprovam o direito e os pontos exatos onde um caso abre uma segunda ou terceira solução jurídica. Cobre Previdenciário, Trabalhista, Direito de Família (exclusivo para mulheres) e Direito das Sucessões (para todos). Baseado no SCRIPT_COMERCIAL_ATENDIMENTO, no PLAYBOOK_SDR_CLOSER e nos POPs de entrevista do escritório.
Visão geral do fluxo
A espinha dorsal do atendimento, do primeiro contato até a entrega do resultado. Cada etapa remete a uma seção detalhada mais abaixo.
Lead chega por canal permitido
Anúncio institucional, indicação ou busca orgânica. Nunca captação ativa (Prov. 205/2021).
1ª resposta em até 15 min úteis
Até 1h fora do horário comercial. Sem resposta em 15 min = falha registrada na métrica.
Qualificação geral (as 4 perguntas de abertura)
Nome, cidade, resumo do problema, urgência/prazo. Ver seção 03.
Detectar a(s) demanda(s) — nunca só a primeira que o lead disse
Rodar o checklist de perguntas do tipo de demanda identificado e verificar o gatilho de venda cruzada correspondente (seção 05).
Pontuar viabilidade (0–10) e prontidão de decisão
SDR preenche a matriz de dois eixos; nunca decide sozinho em caso de dúvida — sobe para o advogado.
Classificar no quadrante Q1–Q4
Fechar agora, nutrir, frear com honestidade, ou orientar e liberar. Ver seção 08.
Se Q1: fechar contrato direto, sem agendar entrevista antes
Para leads Q1 (viável + quente), o closer tenta fechar o contrato imediatamente — sem esperar agenda do advogado. A análise de viabilidade do advogado acontece depois, em cima do contrato já assinado, para autorizar o prosseguimento. Para Q2/Q3/Q4, mantém-se a triagem do advogado antes do fechamento (POP-PREV-001 / POP-TRAB-01).
Advogado confirma viabilidade → prossegue ou distrato
Confirmado viável: onboarding (kit em 48h) e prosseguimento normal, com update proativo a cada 30 dias. Inviável: distrato/cancelamento imediato do contrato, cliente orientado, sem ajuizamento.
Entrega da prestação jurisdicional
Vitória ou derrota: sempre com ligação do advogado antes de qualquer mensagem escrita.
Fluxograma visual — o caminho em um golpe de vista
Mesma jornada da seção 01, agora em desenho. Use isto durante a ligação: encontre onde o lead está e siga a seta.
Q1 · viável + quente → Fechar agora
Fechar contrato direto, sem aguardar agenda do advogado → advogado analisa viabilidade do contrato assinado. Confirmado viável → onboarding e ajuizamento. Inviável → distrato/cancelamento + orientação, sem ajuizamento. Depois: onboarding (kit 48h) → acompanhamento (gatilhos + update a cada 30 dias) → entrega da prestação jurisdicional.Q2 · viável + morno/frio → Nutrir quente
Cadência D+2 / D+7 / D+15 / D+30. Reengajou → sobe para Q1, fecha contrato direto. Não respondeu → nutrição passiva, porta aberta.Q3 · fraco + quente → Frear com honestidade
Pendência sanável? Sim → plano de maturação com data de retorno no CRM. Não → recusa digna (cai em Q4).Q4 · fraco + frio → Orientar e liberar
Recusa digna + caminho orientado. Registrar motivo no CRM. Porta aberta → pode virar indicação.As 4 perguntas de abertura — sempre, antes de qualquer ramo
Aplicar nesta ordem, uma de cada vez, antes de abrir qualquer checklist específico. Se houver prazo correndo, sinalizar URGENTE e acionar o advogado antes de terminar a qualificação.
- Nome completo
- Cidade onde mora
- Resumo do problema, com as próprias palavras (texto ou áudio)
- Existe algum prazo correndo? (carta do INSS com data, audiência, prazo de recurso)
Frases de transição — o que o lead diz → o que o atendente identifica
| Lead diz | Demanda provável → ir para |
|---|---|
| "O INSS cortou meu benefício" | Incapacidade B31/B32 |
| "Quero me aposentar" | Aposentadoria idade urbana / rural / tempo de contribuição |
| "Quero o LOAS / BPC" | BPC/LOAS — triagem dura antes de agendar |
| "Meu marido/esposa faleceu" | Pensão por morte — sempre checar o gatilho de acidente de trabalho |
| "Houve um acidente no trabalho" (com óbito) | Acidente de trabalho fatal — script de acolhimento, zero pressa |
| "Fui mandado embora" / "por justa causa" | Reversão de justa causa ou verbas rescisórias |
| "Quero processar a empresa" (genérico) | Funil de descoberta: mapear vínculo, dano, prova e expectativa antes de classificar |
As frases exatas: do primeiro "oi" ao encerramento
Não são sugestões de tom: são as frases do SCRIPT_COMERCIAL_ATENDIMENTO, calibradas para converter sem ferir o Provimento 205/2021. Use como base e adapte ao seu jeito de falar — o que não muda é o que está em negrito e o que está nas listas de "nunca dizer". Cobre todas as fases: abertura, qualificação, objeção, fechamento, nutrição e pós-contrato.
Abertura no WhatsApp
Acidente fatal — o script mais sensível do escritório
- Qualquer cifra, faixa ou "casos assim costumam dar X".
- "Quanto antes entrar, melhor" — pressa sobre luto.
- "A empresa vai pagar caro por isso" — promessa somada a tom de vingança.
Transição por demanda — a primeira resposta que acolhe
O lead diz a dor; o atendente devolve acolhimento e pede licença para qualificar. Nunca pular direto para a pergunta técnica.
| Lead diz | Atendente responde |
|---|---|
| "O INSS cortou meu benefício" | "Entendo, isso assusta mesmo — vamos olhar isso com cuidado. Vou te fazer algumas perguntas para o(a) advogado(a) já analisar seu caso, tudo bem?" |
| "Quero me aposentar" | "Ótimo momento para planejar isso direito. Algumas perguntas rápidas para entender sua situação, pode ser?" |
| "Quero o LOAS / BPC" | "Certo. Esse benefício tem critérios bem específicos definidos em lei, então vou te fazer perguntas importantes antes de qualquer coisa, para ninguém perder tempo, combinado?" |
| "Meu marido/esposa faleceu" | "Sinto muito pela sua perda. Vamos com calma, no seu tempo. Quando se sentir confortável, me conta um pouco da situação." |
| "Houve um acidente no trabalho" | "Sinto muito que vocês estejam passando por isso. Aqui você vai ser ouvido(a) com calma e respeito. Me conta o que aconteceu, sem pressa." |
| "Fui mandado embora" | "Entendo, demissão mexe com a gente. Me conta como foi para eu encaminhar sua situação ao(à) advogado(a)." |
| "Quero processar a empresa" | "Certo. Para te orientar bem, preciso entender o que aconteceu. Me conta a situação desde o começo?" |
Empatia e "nunca dizer" — por demanda
A frase de empatia vem antes das perguntas técnicas: é ela que faz o lead confiar e responder de verdade. A última coluna não é sugestão — são frases proibidas, cada uma por um motivo real.
| Demanda | Frase de empatia | Nunca dizer |
|---|---|---|
| Incapacidade (INSS cortou) | "Eu sei que ficar sem o benefício de uma hora pra outra desorganiza a vida toda. Por isso a gente trata esses casos com prioridade na análise." | "Você vai voltar a receber, pode ficar tranquilo." · "Esse caso é ganho na certa." · "A perícia do INSS é sempre errada." |
| Aposentadoria | "Depois de uma vida inteira de trabalho, é mais que justo querer isso resolvido direito. Vamos analisar seu histórico com calma para não deixar nenhum período de fora." | "Você já tem direito, é só dar entrada." (só o advogado, após ler o CNIS) · "Vai sair rápido." |
| Pensão por morte | "Sinto muito pela sua perda. Sei que mexer com papelada nesse momento é pesado. A gente cuida da parte burocrática para você poder cuidar de você e da sua família." | "Pensão é automática, é tranquilo." |
| Acidente com sequelas | "Um acidente assim muda a rotina, o corpo e a renda. Vamos entender direitinho tudo o que aconteceu, porque pode haver mais de um direito envolvido — tanto contra a empresa quanto no INSS." | "Isso dá uma indenização boa." · "A culpa é claramente da empresa." |
| Justa causa | "Justa causa é uma mancha que pesa, eu entendo. Por isso ela só é válida quando a empresa realmente prova uma falta grave — e é exatamente isso que o(a) advogado(a) vai avaliar com você." | "Justa causa nunca se sustenta na Justiça." · "Você vai receber tudo dobrado." |
| Horas extras | (aqui o roteiro é reconstruir o dia do lead, minuto a minuto — ver a ficha) | "Hora extra é a ação mais fácil de ganhar." |
| BPC/LOAS | (triagem dura antes de acolher expectativa — ver a recusa digna abaixo) | "É só entrar na Justiça que sai." · "Conheço gente que ganha mais e recebe." · "Vamos tentar, quem sabe." |
| "Quero processar a empresa" (genérico) | (funil de descoberta: mapear vínculo, dano, prova e expectativa antes de classificar) | "Vamos achar alguma coisa para processar." · "Toda empresa tem esqueleto no armário." |
Recusa digna — a frase mais difícil, e a que mais volta como indicação
Q4 e BPC fora do critério. Recusar bem protege o lead de anos de espera por um "não" e protege a taxa do escritório. Quem assina a recusa é sempre o advogado.
Por que essa orientação é séria: na base real, o CadÚnico atualizado reverteu negativas ainda na fase administrativa, no CRPS, sem processo judicial — com provimento unânime da Junta de Recursos. Não é gentileza de recusa: é o caminho que funciona.
Contorno de objeções — onde a conversão se ganha ou se perde
Battlecard — quando o lead compara com outro escritório
Uso interno, nunca em publicidade. O diferencial da Jean Paiva Advocacia nunca é "o outro é ruim": é "aqui você vê o processo real, com números reais, sem promessa vazia". Isso já é raro no mercado e converte mais que qualquer desconto.
| Se o lead disser | Diferencial real a destacar (fato verificável sobre a DH) |
|---|---|
| "Outro escritório respondeu mais rápido" | "Aqui nosso compromisso é responder em até 15 minutos em horário comercial — é uma métrica que acompanhamos todo dia, não uma promessa solta." |
| "Outro falou que era mais rápido no resultado" | "O prazo do Judiciário ninguém controla — o que a gente controla é nunca deixar você mais de 30 dias sem notícia, mesmo quando não há novidade no processo." |
| "Outro cobra menos" | "Trabalhamos majoritariamente com honorários de êxito — você não paga para começar. Se o percentual for diferente, vale comparar o que está incluso: acompanhamento, prazos, transparência." |
| "Quero comparar antes de decidir" | "Faz todo sentido comparar — pedimos só uma coisa: peça pra qualquer escritório mostrar o histórico real de resultados, não só a promessa. O nosso a gente mostra com números, sempre com a ressalva de que cada caso é único." |
| "Esse outro parece mais confiante no resultado" | Usar a frase de "outro advogado prometeu que eu ganho": confiança excessiva sem ressalva é sinal de alerta, não de qualidade. |
Fechamento — a pergunta direta e o silêncio
Dois sinais de compra (seção 08) e o closer pivota. Quem fala depois da pergunta de fechamento é o cliente: fazer a pergunta e calar.
- Nenhum valor é cobrado antes da confirmação de viabilidade. Havendo adiantamento, devolução integral no distrato — sem desconto, sem burocracia.
- Confirmação em até 3 dias úteis da assinatura. Sem retorno no prazo = falha registrada na métrica, igual aos 15 minutos da 1ª resposta.
- Quem confirma ou distrata é sempre o advogado, nunca o atendente. O que muda no Q1 é quando a validação de mérito acontece, jamais quem a faz.
- Nunca condicionar o link de assinatura a pagamento prévio. Pix, se houver, só depois do contrato assinado pelas duas partes.
- Do "sim" do cliente ao link de assinatura: meta de 10 minutos. Sem assinar em 2h, ativa o toque 1 da recuperação abaixo.
Nutrição e recuperação — presença, nunca pressão
Toda mensagem de nutrição é útil para o cliente (informação, lembrete de direito, status), nunca "e aí, vamos fechar?". Nutrir é trocar pressão por presença: o lead da base demora a decidir porque está enlutado, desempregado ou com medo do empregador.
Cadência Q2 viável-morno — 30 dias (o CRM dispara sozinho)
| Toque | Mensagem |
|---|---|
| D+2 | "Ficou alguma dúvida do que conversamos? Posso esclarecer por aqui mesmo." |
| D+7 | Conteúdo útil específico do caso dele. Ex.: "lembra de guardar os exames novos — são eles que sustentam seu caso". |
| D+15 | Check-in honesto, gatilho de definição sem pressão: "Seu caso continua viável pelo que analisamos. Se decidiu seguir com outro colega, sem problema — só me avisa para eu encerrar seu atendimento por aqui." |
| D+30 | Última da cadência ativa: "Vou deixar seu atendimento em pausa. Quando quiser retomar, é só mandar mensagem — sua análise fica guardada." → move para nutrição passiva. |
Recuperação de quase-fechamento — recebeu a proposta e sumiu
Mais rápida que a nutrição comum: é o momento de maior risco de perder para concorrente.
| Toque | Mensagem |
|---|---|
| 2h depois do silêncio | "Ficou alguma dúvida sobre o contrato que te mandei? Fico à disposição para explicar qualquer ponto." |
| D+1, em horário diferente do 1º contato | Reforçar um ponto concreto do caso dele e reduzir fricção: "se preferir, posso te explicar por ligação ou áudio — o que for mais fácil pra você." |
| D+3 | Honestidade direta: "Percebi que você não retornou sobre o contrato — sem problema nenhum se decidiu não seguir, só me avisa para eu não insistir à toa. Se ainda tiver interesse, seu caso continua em aberto." |
- Nunca ultrapassar os 3 toques da recuperação. Insistência além disso é captação indevida (Provimento 205/2021).
- Q2 frio e maturação Q3: cadência longa (D+30 / D+90) com conteúdo educativo e datas-gatilho reais no CRM (fim do período de graça, data provável de cessação, aniversário de 1 ano da demissão).
- Avisar sobre prazo que se aproxima é dever de informação, não pressão: "passando para lembrar que prazos trabalhistas têm limite de 2 anos após a saída — se quiser reavaliar, o tempo começa a pesar."
- Q4: sem cadência ativa. Reativação só por iniciativa dele.
- Higiene: lead sem interação há 90 dias e sem data-gatilho futura = arquivar com motivo. Funil inflado esconde a conversão real.
Depois do contrato — onde o cliente vira indicação (ou reclamação)
Regra interna: cliente sem notícia é cliente que reclama. Update proativo a cada 30 dias, mesmo sem movimentação.
Gatilhos durante o processo — evento dispara mensagem em até 1 dia útil
| Gatilho | Mensagem padrão |
|---|---|
| Protocolo da ação | "Boa notícia, [NOME]: sua ação foi protocolada hoje! Número do processo: [Nº]. Próxima etapa: o juiz determina a citação da outra parte. Te aviso quando acontecer." |
| Citação da parte contrária | "[NOME], a outra parte foi citada e agora tem prazo para se defender. É a etapa normal do processo. Assim que a defesa chegar, nossa equipe analisa e te explico o que disseram." |
| Perícia marcada | "Etapa importante: sua perícia foi marcada para [DATA, HORA, LOCAL]. Vou te enviar nosso guia de preparação e o(a) advogado(a) vai conversar com você antes. Leve TODOS os exames originais e chegue 30 min antes. Essa etapa costuma definir o rumo do caso, então vamos preparar juntos, certo?" |
| Audiência marcada | "Sua audiência foi marcada para [DATA, HORA, LOCAL/link]. O(a) advogado(a) vai fazer uma reunião de preparação com você antes — vou agendar. Fique tranquilo(a): você não vai sozinho(a) e vai chegar lá sabendo exatamente o que esperar." |
| Recurso (nosso ou deles) | "[NOME], a outra parte recorreu da decisão — isso é comum e já esperávamos a possibilidade. O processo sobe para o Tribunal e nós apresentamos nossa resposta. Isso adiciona tempo (te falei da cauda dos 2 anos, lembra?), mas a decisão a seu favor continua valendo como base." |
| Alvará / pagamento | "[NOME], chegou o dia: o valor do seu processo foi liberado! 🎉 O(a) advogado(a) vai te ligar hoje para explicar os valores, descontos previstos em contrato e o prazo de transferência, tudo por escrito também." |
| 30 dias sem movimento | "Oi, [NOME]! Update mensal do seu processo: está na fase de [FASE], aguardando [O QUÊ]. Sem novidade relevante — e isso é normal nessa etapa. Seguimos de olho diariamente. Qualquer movimento, você é o(a) primeiro(a) a saber." |
| Sentença | Nunca mensagem seca. Vitória ou derrota: ligação do(a) advogado(a) + resumo por escrito depois. |
- Sumir após a derrota.
- Culpar genericamente "a Justiça".
- Empurrar recurso inviável para "manter o cliente". Dizer "não recomendo recorrer" quando for o caso, com o porquê.
- Estimular post do cliente citando valores: "Fique à vontade para celebrar, só pedimos para não citar valores nem detalhes do processo, para sua própria proteção."
- Indicação: pedir avaliação espontânea pode; pagar ou premiar por indicação, criar programa com benefício ou pedir lista de contatos, não.
- Ancorar valor pela média. A mediana trabalhista é R$ 23 mil, não a média inflada pelos acidentes fatais.
- Prometer prazo pela metade boa da curva. Sempre incluir a cauda longa: 2 anos ou mais quando há perícia e recurso.
- Não plantar a possibilidade de acordo. 21,2% dos trabalhistas terminam em acordo. Semear já no 1º contato: "o processo pode terminar por decisão do juiz ou por acordo — se houver proposta, você decide com os números na mesa."
- Validar a comparação com o vizinho. "Fulano conseguiu" não transfere viabilidade: BPC tem 15% de êxito; idade urbana, 54%.
- Deixar o lead tomar uma atitude antes de falar com o advogado. Sinalizou que vai pedir demissão, abandonar tratamento ou assinar papel? Escalar no mesmo dia.
- Parafrasear "bonito" em vez de registrar literal. Registrar a fala do lead entre aspas: é o material bruto que o advogado usa na entrevista e na peça.
Mapa de venda cruzada
O ponto central deste documento. Cada linha abaixo é uma pergunta-gatilho que, respondida "sim", abre uma segunda (ou terceira) frente jurídica dentro do mesmo caso. Nenhuma delas é opcional — perguntar é o que diferencia um contrato de um contrato e meio.
"Como e onde a pessoa faleceu — foi durante o trabalho, no trajeto, em viagem a serviço, ou por doença/violência ligada à função?"
Se sim: são duas ações contra réus diferentes (INSS × empregador) que se cumulam integralmente, sem qualquer desconto (Súmula 229/STF; pensão civil do art. 948, II do CC não se confunde com a pensão previdenciária). Mapear TODOS os legitimados: cônjuge/companheiro(a), filhos de todas as relações, pais em ricochete (pedido comum e frequentemente esquecido) e irmãos. Critério interno do escritório: só vira cliente ativo se o óbito ocorreu há até 2 anos.
"Há CAT? O afastamento foi por acidente ou doença do trabalho? O benefício era B91 (acidentário) ou B31 comum?"
Se sim: B91 garante estabilidade de 12 meses após a cessação (Lei 8.213/91, art. 118; Súmula 378/TST); sequela permanente que reduz a capacidade pode gerar auxílio-acidente — cumulável com o salário, o cliente PODE trabalhar e receber; e o nexo com o trabalho abre indenização civil contra o empregador (dano material/moral/estético), independente do trâmite no INSS.
"Havia hora extra não paga? Trabalhava exposto a algum risco/agente nocivo? A função registrada era mesmo a que exercia?"
Se sim: tudo cabe na mesma reclamação trabalhista e usa a mesma coleta documental (CTPS, holerites, CCT, testemunhas) — deixar de perguntar é deixar dinheiro na mesa do mesmo processo.
"Reconhecido o vínculo, qual foi o período total trabalhado como PJ/autônomo?"
Se houver período reconhecido: FGTS retroativo, férias + 1/3, 13º e horas extras de todo o período tornam-se devidos — orçar sempre o pacote completo, não apenas o reconhecimento isolado.
"Há período trabalhado na roça, ou exposto a agente nocivo (ruído, químicos), que não aparece no CNIS?"
Se sim: a averbação do período rural ou especial pode ser exatamente o tempo que falta para o direito — e se a empresa não fornecer o PPP, isso pode virar uma reclamação trabalhista própria para obrigá-la a fornecer.
"Existe algum problema de saúde que impede o trabalho?"
Se sim: o BPC exige critério de renda estrito e tem a pior taxa de êxito da carteira (15%); a incapacidade não exige o mesmo critério de renda e tem taxa muito superior (40–48%) — sempre oferecer a rota alternativa antes de recusar o lead.
Previdenciário — perguntas, documentos e sinais por benefício
Base: 1.542 processos reais (POP-PREV-001). Cada ficha traz o roteiro completo de perguntas e documentos. Antes de abrir a ficha do benefício, o roteiro comum abaixo se aplica a toda entrevista previdenciária.
COMUM · Roteiro de toda entrevista previdenciária
CNIS — leitura obrigatória na entrevista
- Conferir todos os vínculos: há vínculo em aberto (sem data fim)?
- Há indicadores/pendências (vínculo extemporâneo, remuneração sem vínculo)?
- Anotar a data exata de cessação do último benefício que aparece no sistema
Histórico laboral completo
- Listar TODOS os trabalhos, inclusive sem carteira, rural, doméstico, autônomo
- Períodos sem registro: quem pode testemunhar? Há prova material?
- Atividade atual: está trabalhando? Desde quando? Em quê?
- Já contribuiu como facultativo, MEI ou contribuinte individual?
Requerimentos anteriores — SEMPRE perguntar
- "Já pediu algum benefício ao INSS antes?" (listar todos, com datas)
- Para cada pedido: deferido, indeferido ou cessado? Qual o motivo escrito na carta?
- Pergunta obrigatória: "Quando foi negado, o(a) senhor(a) RECORREU ou fez um pedido novo?"
- Há processo judicial anterior sobre o mesmo benefício? (risco de coisa julgada)
- Há perícia administrativa marcada? Para quando?
Classificação derivada do que a base real do escritório mostra decidir cada tese (motivo nº 1 de negativa, prova que ganha sozinha, o que vira inépcia). É triagem interna — o advogado confirma o essencial caso a caso.
Incapacidade — B31 temporário / B32 permanente
Perguntas obrigatórias — na sequência
- Qual é a doença/lesão? Desde quando sente os sintomas?
- Qual médico acompanha? Com que frequência consulta? SUS ou particular?
- Quais exames o(a) senhor(a) tem EM MÃOS e de QUAL DATA? (ressonância, raio-X, laudo, receituário)
- Há laudo médico recente (menos de 90 dias) com CID, descrição da limitação e prazo estimado?
- Faz uso contínuo de medicação? Quais? Tem as receitas?
- Qual foi o último dia efetivamente trabalhado? (anotar data exata)
- Está afastado pela empresa? Há ASO de afastamento ou de demissão? Há CAT?
- Já recebeu auxílio-doença antes pela mesma doença? Quando cessou? (conferir no CNIS)
- Depois da cessação, voltou a trabalhar ou a contribuir? Por quanto tempo? (qualidade de segurado / período de graça)
- A doença piorou desde a última perícia? Há exames NOVOS que mostrem a piora?
- A atividade habitual exige esforço físico, peso, postura? (descrever a função real)
- Caso psiquiátrico (F31/F33): há acompanhamento em CAPS/psiquiatra? Internações? Relatório do profissional?
Perguntas que nascem da fase administrativa real
- "A negativa do INSS veio de perícia presencial ou de análise só de documentos (ATESTMED)?" — no ATESTMED, o atestado enviado decide sozinho: precisa ter CID, data de início da incapacidade e prazo legíveis.
- "O seu médico registrou alguma limitação que dá para ver no exame físico (perda de força, redução de movimento, atrofia)?" — atestado só com queixa de dor não segura a perícia.
- "Quando os sintomas começaram, o(a) senhor(a) estava contribuindo? Ou voltou a contribuir depois de já estar doente?" — "doença preexistente" é tese de defesa do INSS; se a filiação foi posterior, o caso só anda com prova de agravamento.
- "O(a) senhor(a) tem MEI ou CNPJ aberto, mesmo sem faturar?" — MEI ativo na DER gerou indeferimento por "não afastamento das atividades". Orientar baixa documentada antes da DER.
- "Quando o benefício cessou, pediu prorrogação nos 15 dias antes da data de cessação?" — define se o caso é de restabelecimento e onde ancorar a DIB.
Documentos a solicitar
- ETodos os exames de imagem com laudo (originais, com data legível)
- ELaudo médico atualizado com CID, limitações funcionais e tempo estimado de afastamento
- IReceituários e comprovantes de medicação contínua
- IProntuário do SUS (orientar a pedir na unidade de saúde)
- CASO admissional, periódico e demissional, se houver
- ICAT, se acidente/doença ocupacional
- ECTPS e CNIS
- ICartas de concessão/cessação de benefícios anteriores
Sinais de viabilidade
- Nenhum exame, nenhum laudo, nenhum tratamento em curso ("o médico só me olhou")
- Perda da qualidade de segurado muito antes do início comprovável da doença
- Mesma doença já julgada improcedente sem fato novo (piora documentada)
- CID alegado mais grave do que os laudos sustentam — a perícia confirma o diagnóstico real, e a discrepância derruba a credibilidade do caso inteiro
- Exame de imagem alterado + exame físico normal — perfil que perdeu em 8 casos. O perito decide pelo exame físico: hérnia ou artrose na imagem, sozinhas, não sustentam incapacidade
- Fibromialgia como diagnóstico principal isolado — 4 improcedências: a perícia invoca as diretrizes da SBR (trabalho é fator de proteção). Se aceitar, montar sobre comorbidades com achado objetivo
- Cardiopatia pós-infarto "compensada" e transtorno psiquiátrico "em remissão" — exigir prova de limitação atual, não só o histórico
Auxílio-acidente
Perguntas obrigatórias
- O que aconteceu (acidente de qualquer natureza, trajeto, trabalho, doença ocupacional)? Data exata?
- Houve CAT? Boletim de ocorrência? Atendimento de emergência (ficha do hospital)?
- O tratamento terminou? A lesão está consolidada (não vai melhorar mais)?
- Qual sequela ficou? (perda de força, limitação de movimento, encurtamento, amputação, dor crônica residual)
- Essa sequela reduz a capacidade para a atividade que exercia NA ÉPOCA do acidente? Como, concretamente? (ex.: pedreiro que não levanta peso acima do ombro)
- Recebeu B31/B91 após o acidente? Quando cessou? (o auxílio-acidente costuma nascer da cessação)
- Voltou a trabalhar? Na mesma função ou foi readaptado?
- Era segurado na data do acidente? (conferir CNIS)
- A origem é claramente ocupacional (há CAT ou condições de trabalho para embasar o nexo) ou é degenerativa/preexistente?
Documentos a solicitar
- ECAT (se acidente de trabalho) e/ou boletim de ocorrência
- IFicha/prontuário do atendimento de emergência (prova da data do acidente)
- EExames de imagem pós-consolidação + laudo descrevendo a sequela, não só a lesão
- ICarta de cessação do B31/B91
- ECTPS/CNIS
- IDescrição da função exercida na época (ficha de registro, contracheque)
Sinais de viabilidade
- Lesão ainda em tratamento (não consolidada) → o caso é de B31, não de auxílio-acidente
- Contribuinte individual/facultativo na data do acidente (verificar cobertura legal antes de aceitar)
- Nenhum documento contemporâneo ao acidente
Aposentadoria por idade urbana
Perguntas obrigatórias
- Idade atual e data de nascimento (conferir requisito etário vigente / regra pós-EC 103/2019)
- Quanto tempo de contribuição aparece no CNIS? Quanto o cliente acha que tem?
- Há períodos trabalhados que não aparecem no CNIS? Quais empresas, quais anos?
- Tem CTPS antigas? Todas? Onde estão?
- Trabalhou como doméstica, autônomo ou rural em parte da vida? (possível soma/híbrida)
- Há vínculos com pendência no CNIS (extemporâneo, sem remuneração)?
- Já requereu? Indeferido por quê? Recorreu?
Documentos a solicitar
- ECNIS completo
- ETodas as CTPS (inclusive antigas)
- ICarnês de contribuição (GPS) antigos
- IContracheques/recibos de períodos não constantes do CNIS
- CReclamatórias trabalhistas antigas com sentença (período reconhecido)
- CCarta de indeferimento, se houver
Sinais de viabilidade
- Cliente "tem certeza" do tempo mas não tem CTPS nem carnês — não aceitar sem ver documento
- Vínculos só testemunhais, sem nenhum início de prova material
Aposentadoria rural / segurado especial
Perguntas obrigatórias
- Idade (requisito etário rural — conferir regra vigente)
- Trabalha(va) na roça em que regime: economia familiar, parceria, meação, comodato, arrendamento, diarista/boia-fria?
- Terra própria, da família ou de terceiro? Tamanho aproximado (módulos fiscais)?
- Quem mora e trabalha na propriedade? Alguém da família tem vínculo urbano? (descaracterização)
- O que produz e para quem vende? Tem nota de produtor?
- Por quais anos exatamente trabalhou no rural? Houve períodos na cidade?
- Sindicato rural: é filiado? Desde quando?
- Os filhos nasceram na zona rural? Estudaram em escola rural?
- Já recebeu salário-maternidade rural? (indício de reconhecimento da condição)
Perguntas que nascem da fase administrativa real
- "O(a) senhor(a) continua na lida rural HOJE? Até quando trabalhou na roça?" — o INSS indefere pelo motivo 161 ("falta de qualidade como trabalhador rural no período imediatamente anterior ao requerimento"). Não basta ter sido rural no passado: a prova precisa alcançar o período imediatamente anterior à DER.
- "A sua DAP/CAF está ATIVA?" — conferir o status, não só a existência. DAP cancelada não é camada de prova: é bandeira para o INSS.
- CNIS zerado exige prova material cobrindo TODA a carência — houve indeferimento com "00 contribuições até a DER" mesmo com "indícios de atividade rural" reconhecidos pelo próprio INSS. Indício não basta: mapear camada por camada, ano a ano, antes de protocolar.
Documentos — prova material em camadas
Montar uma linha do tempo: cada camada cobre um pedaço do período de carência.
- EDAP/CAF (Declaração de Aptidão ao Pronaf / Cadastro da Agricultura Familiar)
- IITR e CCIR da propriedade (vários anos, em nome do cliente ou da família)
- EContrato de comodato, parceria ou arrendamento (mesmo informal, com firma reconhecida se possível)
- ICertidão eleitoral com profissão "lavrador(a)/agricultor(a)" e zona rural
- EAIH / certidão de nascimento dos filhos com profissão rural dos pais e endereço rural (a AIH do parto é prova contemporânea forte)
- ICertidão de casamento com profissão "lavrador"
- INotas fiscais de produtor rural / notas de venda de produção
- CFicha de matrícula dos filhos em escola rural
- CFicha de atendimento em posto de saúde rural
- ICarteira do sindicato rural + comprovantes de mensalidade
- CDeclaração do sindicato (complementar, nunca prova única)
- CFotos antigas datáveis na lida rural
- ILista de 3+ testemunhas (vizinhos de roça, sem parentesco)
Sinais de viabilidade
- CNIS com longos vínculos urbanos dentro do período de carência alegado
- Propriedade grande / produção empresarial (descaracteriza segurado especial)
- Cônjuge com renda urbana relevante mantendo a família
- Nenhum documento e cliente reside na cidade há muitos anos
- Contrato de parceria/comodato com as partes invertidas (cliente aparece como quem cede a terra, não como quem trabalha nela) — já gerou indeferimento mesmo com incapacidade reconhecida pela perícia do INSS. Erro barato de revisar, caro de descobrir depois
Tempo de contribuição / regras de transição
Perguntas obrigatórias
- Tempo total que o CNIS mostra hoje (somar na entrevista, ainda que por alto)
- Tinha quanto tempo em 13/11/2019 (EC 103)? — define quais regras de transição se aplicam
- Há períodos a recuperar: CTPS fora do CNIS, reclamatória trabalhista, serviço militar, aluno-aprendiz?
- Trabalhou exposto a agentes nocivos (ruído, químicos, biológicos)? Tem PPP/LTCAT? (tempo especial → conversão, conforme as regras vigentes à época)
- Período rural na juventude documentável? (averbação)
- Já fez simulação no Meu INSS? Qual resultado?
- Já requereu e foi indeferido? Recorreu? Por qual regra o INSS analisou?
Documentos a solicitar
- ECNIS completo + extrato de simulação do Meu INSS
- ETodas as CTPS e carnês
- EPPP de cada empresa com exposição a agente nocivo (orientar a pedir no RH)
- ILTCAT/laudos, se acessíveis
- CCertificado de reservista (tempo militar)
- ISentenças trabalhistas com reconhecimento de vínculo
- IDocumentos rurais (ver a ficha rural), se houver período rural
Sinais de viabilidade
- Cliente quer ajuizar "para ver se cola", sem cálculo que feche
- Tempo especial sem nenhuma chance de obter PPP (empresa extinta, sem sucessora e sem laudos)
- Expectativa de regra antiga já extinta, sem direito adquirido
Pensão por morte
Perguntas obrigatórias
- Data do óbito (certidão em mãos?)
- Quanto tempo se passou desde o óbito? (ver a regra dos 90 dias abaixo)
- O falecido era aposentado, recebia benefício ou estava trabalhando? (qualidade de segurado — conferir o CNIS dele)
- Se não estava contribuindo: quando foi a última contribuição? (período de graça)
- Vínculo do requerente: cônjuge, companheiro(a), filho menor, pais?
- Se casamento: data do casamento (relevante para a duração do benefício)
- Se união estável: desde quando viviam juntos? Moravam no mesmo endereço? Tiveram filhos em comum?
- Idade do dependente e tempo de contribuição do falecido (definem a duração da cota)
- Há outros dependentes (filhos de outro relacionamento, ex-cônjuge com alimentos)?
- Já requereu? Indeferido por quê? Recorreu?
Documentos — união estável: prova em camadas
Quanto mais camadas contemporâneas, melhor.
- EEscritura pública de união estável (se existir, é a camada mais forte)
- IPlano de saúde com o(a) companheiro(a) como dependente
- IMesmo endereço no CNIS de ambos (conferir na entrevista)
- IConta de luz/água/internet no nome de um, no endereço comum (vários anos, se possível)
- ICertidão de nascimento de filhos em comum
- IDeclaração de IR com o(a) companheiro(a) como dependente
- IConta bancária conjunta, financiamento ou contrato de aluguel conjunto
- CSeguro de vida/título com o(a) companheiro(a) como beneficiário(a)
- CFotos datadas, redes sociais, convites (camada complementar)
- CCertidão de óbito que mencione o(a) companheiro(a) como declarante
- I3+ testemunhas (vizinhos, não parentes)
Documentos gerais
- ECertidão de óbito
- ECNIS e CTPS do falecido
- ECertidão de casamento ou prova de união estável
- ECertidão de nascimento dos filhos menores
- EDocumentos pessoais do requerente
- CCarta de indeferimento, se houver
Sinais de viabilidade
- Falecido perdeu a qualidade de segurado muito antes do óbito e não estava incapaz nesse intervalo
- União estável alegada sem nenhum documento comum (só palavra e fotos)
- Separação de fato antes do óbito, sem dependência econômica comprovável
- Disputa entre supostas companheiras sem prova robusta do nosso cliente
BPC / LOAS
Perguntas obrigatórias — triagem dura
- Modalidade: idoso (65+) ou pessoa com deficiência?
- Quem mora na casa? Listar TODOS, um a um, com idade e renda de cada um
- Renda per capita: somar todas as rendas e dividir pelo número de moradores. Comparar com o limite legal de 1/4 do salário mínimo — e registrar se passa pouco ou muito do limite
- Algum morador recebe benefício? Qual? ⚠️ A exclusão da renda de até 1 SM (art. 20, §14, LOAS) vale para idoso OU outro membro PcD do grupo. Avaliar também se algum morador pode ser excluído do grupo familiar por ter núcleo próprio (casado, união estável, filho preso) — reduz a per capita de forma autônoma
- CadÚnico: está inscrito? Atualizado nos últimos 2 anos? Os dados batem com a realidade declarada?
- Se PCD: qual a deficiência/CID? É impedimento de longo prazo (2+ anos)? Há laudos e exames datados?
- Se PCD: como a deficiência limita a participação na vida social e no trabalho, na prática?
- Gastos extraordinários comprováveis (medicação contínua, fraldas, aluguel)? Guardou notas/recibos?
- Condições de moradia (própria/cedida/alugada, estado)
- Já requereu? Indeferido por renda ou por perícia? Recorreu?
A pergunta que vira o jogo
- Se foi indeferido por RENDA: "o CadÚnico estava atualizado NA DATA do pedido?" — se não estava, atualizar e considerar recurso ao CRPS ou novo requerimento com o CadÚnico correto antes de judicializar.
Documentos a solicitar
- EComprovante de inscrição e extrato do CadÚnico atualizado
- EComprovante de renda (ou de ausência de renda) de todos os moradores
- ECNIS de todos os adultos da casa
- IComprovante de residência
- ESe PCD: laudos, exames datados, receitas, relatórios escolares (criança)
- INotas de gastos com saúde/medicação (tese de miserabilidade no caso concreto)
- CComprovante de despesas fixas (aluguel, energia)
Sinais de viabilidade
- Renda per capita claramente acima do limite sem nenhum gasto extraordinário documentado
- Cliente omite morador ou renda na entrevista (cruzar com CadÚnico e CNIS — se divergir, recusar)
- PCD sem nenhum laudo e sem tratamento em curso
- Impedimento de curto prazo (o caso é de B31, se houver qualidade de segurado — redirecionar)
- Família com patrimônio incompatível com miserabilidade (carro novo, imóveis)
Salário-maternidade
Perguntas obrigatórias
- Data do parto (ou previsão), adoção ou guarda? Houve natimorto ou aborto não criminoso (regras próprias)?
- Situação na época do parto: empregada, desempregada, contribuinte individual, MEI, segurada especial rural?
- Se desempregada: quando foi o último vínculo? (período de graça / qualidade de segurada na data do parto)
- Se contribuinte individual/facultativa/especial: carência de 10 contribuições cumprida? (empregada não tem carência)
- Se RURAL: atividade rural nos meses anteriores ao parto? (montar a prova em camadas — a certidão de nascimento com endereço rural e a AIH do parto são centrais aqui)
- A empresa pagou diretamente? (empregada com vínculo ativo recebe da empresa — verificar se o problema é com o INSS mesmo)
- Já requereu? Indeferido por quê? Recorreu?
- Prazo: quanto tempo desde o parto? (atenção à prescrição/decadência — verificar antes de contratar)
Documentos a solicitar
- ECertidão de nascimento da criança (ou termo de guarda/adoção)
- ECartão de pré-natal / AIH do parto
- ECNIS e CTPS da segurada
- ESe rural: prova material em camadas cobrindo o período próximo ao parto
- CCarta de indeferimento, se houver
Sinais de viabilidade
- Parto antigo com risco de prescrição total — verificar datas ANTES de contratar
- Sem qualidade de segurada na data do parto por qualquer cálculo
- Empregada com vínculo ativo cujo litígio é trabalhista (contra a empresa), não previdenciário — redirecionar
Trabalhista — perguntas, documentos e sinais por ação
Base: 1.412 processos reais (POP-TRAB-01). Êxito geral da carteira: 38%. Cada ficha traz o roteiro completo; os dois blocos abaixo se aplicam a toda entrevista trabalhista, antes de abrir a ficha da ação.
COMUM · Roteiro de toda entrevista trabalhista
Documentos básicos — pedir na 1ª reunião, sem exceção
- CTPS (física ou digital, print de todas as anotações)
- Contrato de trabalho e aditivos
- TRCT + comprovante de pagamento das verbas
- Holerites — idealmente todos; no mínimo os 12 últimos + os meses críticos
- Extrato do FGTS (app FGTS/Caixa)
- Extrato CNIS (Meu INSS)
- Comunicações escritas: advertência, suspensão, dispensa, e-mails, WhatsApp com a chefia
- CCT/ACT da categoria — sem ela a inicial sai sem piso, sem adicional convencional e sem multa normativa. Buscar no Mediador (MTE) ou no sindicato; anotar quem ficou responsável
Testemunhas — perguntar SEMPRE
- Quem presenciou os fatos? (mínimo 2 nomes, ideal 3)
- Para cada uma: nome completo, telefone, função, setor, período junto
- Ainda trabalha na empresa? (tende a não comparecer ou depor com medo — planejar intimação)
- Tem ação contra a mesma empresa? (não gera suspeição — Súmula 357 do TST — mas a defesa explora)
- Presenciou o fato específico ou só "ouviu dizer"? Ouvir dizer não sustenta tese
- O cliente autoriza contato prévio do escritório com as testemunhas?
Dados para liquidar (art. 840, §1º) — números, não adjetivos
- "Limitação aos valores da inicial" é o 2º maior tema da base (614 análises); pedido ilíquido vira inépcia parcial
- FGTS: abrir o extrato analítico e listar quais competências (mês/ano) faltam. Cuidado com o FGTS Digital: pode haver 2 contas por CPF — somar as duas antes de alegar falta
- Feriados/domingos: quais datas ou a frequência mensal por período
- Salário exato, admissão/saída, jornada, percentuais de comissão — os valores-base da liquidação
- Número impossível de precisar: anotar estimativa + critério (defensável; já rendeu condenação acima do valor da causa)
Dano moral — caçar o FATO ESPECÍFICO
- Êxito de 37% — o que decide é o fato lesivo específico e provado. Perguntar ativamente por:
- Transporte de valores sem escolta (levar dinheiro ao banco, guardar malote) — fato vencedor recorrente
- Assédio moral com episódios datados (quem, quando, o que foi dito, quem ouviu)
- Jornada excessiva + descontos abusivos combinados
- Não sustentar como dano moral: "rigor/metas" genérico, descontos sem prova de abuso, FGTS/verbas atrasadas (mero descumprimento patrimonial). Sem fato específico com prova, não marcar dano moral na ficha
TRIAGEM · Filtros de go / no-go que valem para qualquer ação
Perguntas de triagem obrigatórias
- "Existe empresa TOMADORA do serviço?" (terceirização, condomínio, banco, hospital, órgão). A subsidiária da tomadora privada (Súmula 331, IV/VI) foi a tese de maior êxito e menor custo do acervo: 6/6. Contra empresa em recuperação judicial, quem efetivamente pagou foi o tomador — nunca abrir mão dele. Contra ente público (Tema 1.118/STF), só vence com culpa in vigilando concreta
- "O senhor pediu demissão?" — eliminatória para rescisão indireta (2 êxitos × 4 derrotas; 2 casos viraram pedido de demissão, pior que a improcedência)
- EPI com foco no CA: ficha assinada sem Certificado de Aprovação não vale como entrega; ficha com CA sem assinatura também não
- Doença ocupacional sem assistente técnico não se ganha: 6 derrotas e 0 vitórias, nenhuma com assistente técnico do autor. Ou o caso comporta o custo, ou vai à diligência
Alertas de passivo e de prova
Alinhamento de expectativa (para o fechamento — nunca prometer)
- Acordo real ancora em ~14% do valor da causa (o número mais estável do acervo); mediana de R$ 10-20 mil, fechando na 1ª audiência
- Procedência total é rara (~5 em 284); a parcial típica defere 1 ou 2 pedidos de um rol de 8 a 12
- Honorários: os 15% pedidos nunca foram deferidos — a mediana real é 10%
- Recusar a sugestão do juízo costuma não compensar: num caso, o autor recusou R$ 15 mil e a condenação final foi exatamente R$ 15 mil, com 10% de honorários contra ele
- Ganhar ≠ receber: num bloco, os créditos liberados tiveram mediana de R$ 252,95
Acidente de trabalho fatal (entrevista com a família)
Perguntas obrigatórias
- Como, onde e quando ocorreu o acidente? Quem presenciou? (nomes)
- Data e hora do óbito — conferir em TODOS os documentos (ver a regra abaixo)
- A empresa emitiu CAT? Se não, quem emitiu (sindicato, médico, família)?
- Havia EPI, treinamento, manutenção do equipamento? A atividade era de risco (transporte, energia, altura, máquinas)? — fundamenta a responsabilidade objetiva
- Houve inquérito policial, fiscalização do MTE, atuação do MPT?
- Mapear TODOS os legitimados (não fechar contrato só com quem procurou o escritório): cônjuge ou companheira(o); filhos — todos, de todas as relações, inclusive menores e os que não moram juntos; os PAIS do falecido (dano moral em ricochete é pedido autônomo e frequentemente esquecido); irmãos que dependiam economicamente
- União estável: era formalizada? Se não há escritura, colher o conjunto probatório na entrevista
- Renda real do falecido: registrada + "por fora" + bicos? Só usar no cálculo o que tiver lastro
- Quem dependia economicamente do falecido e em que medida?
Perguntas do esqueleto vencedor
Validadas em 4 procedências no TRT-18 (R$ 920 mil a R$ 1,84 milhão). A inicial vencedora traz um checklist de ~20 violações de NRs, e as sentenças espelharam esse checklist. O material dele nasce aqui:
- Existia APR (Análise Preliminar de Risco) para a atividade do dia? E PET (Permissão de Entrada e Trabalho), quando aplicável?
- O falecido tinha treinamento certificado para aquela atividade/máquina (certificado de NR com carga horária)? A família tem cópia?
- Havia técnico de segurança do trabalho presente no local/turno?
- O que a empresa mudou DEPOIS do acidente? (colocou proteção, mudou procedimento, comprou EPI, treinou a equipe) — medida corretiva demonstra ciência prévia do risco. Foi decisivo num dos casos, em que o preposto da própria ré entregou a negligência: em 3 dos 4 vencedores, a instrução virou confissão da ré
- A empresa tinha seguro de vida em grupo (obrigação comum de CCT)? Qual seguradora? — o "convite à seguradora" é seção própria do esqueleto vencedor
- A família já requereu a pensão por morte no INSS? Tem protocolo/carta? — a carta reconhecendo a companheira como dependente reverteu uma extinção por ilegitimidade (Súmula 8 do TST)
- Pais do falecido: colher convivência e proximidade afetiva (fotos, rotina, mensagens) mesmo sem dependência econômica — num caso, os pais receberam R$ 100 mil cada, sem prova de dependência
Documentos — checklist
- EBoletim de ocorrência
- ELaudo cadavérico / laudo do IML / laudo pericial do local
- ECertidão de óbito
- ECertidão de casamento OU prova de união estável (escritura, ou o conjunto de camadas)
- ECertidões de nascimento de todos os filhos
- IDocumentos pessoais dos pais do falecido (ricochete)
- ECAT (ou prova de que a empresa se recusou a emitir)
- EProva de renda do falecido: holerites, CNIS, extratos, IR
- CFotos do vínculo familiar (festas, viagens, rotina) — humanizam o dano moral e provam convivência
- CComprovantes de despesas com funeral
- CNotícias de jornal/redes sobre o acidente, se houver
- IApólice/nome da seguradora de vida em grupo (convite à seguradora)
- ILaudo do inquérito criminal completo — a inicial vencedora usa prints do laudo embutidos na narrativa
- IProtocolo/carta da pensão por morte no INSS (prova de dependência)
Sinais de viabilidade
- Divergência não conciliada entre BO, laudo e certidão
- União estável sem nenhum documento e sem testemunhas
- Renda alegada muito acima de qualquer prova
- Acordo extrajudicial já assinado pela família com a empresa/seguradora
- Culpa exclusiva da vítima com prova robusta da empresa
Acidente de trabalho com sequelas / incapacidade
Perguntas obrigatórias
- Como ocorreu o acidente (ou como a doença se instalou — LER/DORT, perda auditiva, coluna)?
- CAT foi emitida? Por quem?
- Recebeu benefício do INSS? Qual espécie — B91 (acidentário) ou B31 (comum)? (B91 gera estabilidade de 12 meses — art. 118 da Lei 8.213/91 e Súmula 378 do TST)
- Já passou por perícia do INSS? Resultado? Tem laudos médicos particulares?
- Qual a sequela concreta: o que não consegue mais fazer no trabalho e na vida pessoal?
- Voltou a trabalhar? Na mesma função? Foi dispensado durante ou logo após a estabilidade?
- Havia EPI? Treinamento? Ordem de serviço? Máquina com proteção (NR-12)?
- Quem presenciou o acidente ou conhece a rotina lesiva? (testemunhas)
Documentos — checklist
- ECAT
- ETodos os laudos, exames e atestados médicos (organizar em ordem cronológica)
- EComunicações do INSS (concessão, cessação, espécie do benefício)
- CReceitas e comprovantes de gastos com tratamento, remédios, fisioterapia
- CFotos da lesão e do local/máquina, se houver
- IPPP e laudos ambientais, se a empresa fornecer
Sinais de viabilidade
- Nenhum documento médico contemporâneo ao acidente
- Acidente antigo sem CAT, sem INSS e sem testemunha
- Doença degenerativa sem nenhum indício de nexo com o trabalho
- Cliente que já voltou à mesma função sem restrição e busca apenas "indenização genérica"
Horas extras / jornada (perfil forte: motorista)
Perguntas obrigatórias
- Jornada minuto a minuto: horário real de início e fim, dia a dia da semana, com variações. Montar a tabela na própria entrevista.
- Havia controle de ponto? De que tipo (manual, eletrônico, por app)? O registro refletia a realidade ou era "ponto britânico"/assinado em branco?
- Intervalo intrajornada: quanto tempo realmente parava para almoçar?
- Trabalho em domingos e feriados? Com que frequência? Havia folga compensatória?
- Composição da remuneração: recebia comissões (fixo + comissão)? — Súmula 340 do TST + OJ 397 da SDI-1: comissionista tem HE só sobre o adicional na parte comissionada. É um dos atalhos de defesa mais eficazes da base (40 teses a citam, quase todas pela reclamada) e derruba o quantum mesmo com a jornada provada. Nunca prometer o valor "cheio" ao comissionista
- Horas in itinere: a empresa fornecia transporte? O local era de difícil acesso sem transporte público? Qual o período do contrato? — o regime legal mudou com a Reforma de 2017; conferir o art. 58 da CLT vigente para o período, nunca de memória
- Quem pode confirmar a jornada? Colega de rota, porteiro, conferente?
Específico de motorista
- Tempo de espera para carga/descarga: ficava à disposição ou liberado?
- Participava do descarregamento efetivo? (descarregar = jornada, não tempo de espera)
- Pernoite na boleia? Quem mandava no horário — empresa, embarcador, app?
- Diário de bordo / fichas de viagem: existiam? O cliente tem cópias?
- Rastreador / telemetria (Sascar, Omnilink, Autotrac): o caminhão tinha? — é a prova rainha: pedir os dados em juízo (exibição de documentos)
- Macros/mensagens do sistema da empresa, tacógrafo, CT-e/MDF-e das viagens
Documentos — checklist
- EEspelhos de ponto (se tiver) ou anotações pessoais de jornada
- IDiário de bordo, fichas de viagem, romaneios
- IPrints de mensagens/WhatsApp com ordens fora de horário
- EHolerites (verificar se já havia pagamento parcial de HE — diferenças)
- ICCT (jornada especial da categoria, banco de horas, divisor)
Sinais de viabilidade
- Jornada redonda e fixa demais ("7h às 23h todos os dias, sem folga, por 5 anos") — não ajuizar assim; refazer a entrevista
- Cliente que muda a jornada a cada vez que conta
- HE já pagas corretamente nos holerites e cliente sem apontar diferenças concretas
- Escala 12x36: contrato integralmente pós-Reforma + TRT de linha restritiva (TRT-2/TRT-3): HE habituais isoladas não descaracterizam a escala (art. 59-A/59-B). Só prova oral de folgas trabalhadas ou confissão do preposto sustenta. Matéria afetada ao IRR 296/TST — calibrar a expectativa antes de prometer
Reversão de justa causa
Perguntas obrigatórias
- O que aconteceu, exatamente? Reconstituir o episódio: dia, hora, local, quem estava presente, o que foi dito e feito. Sem versão genérica.
- Qual o enquadramento dado pela empresa (carta de dispensa)? Qual alínea do art. 482 da CLT?
- Gradação disciplinar anterior: já tinha advertências ou suspensões? Quantas, quando, por quê, assinou? (justa causa "do nada", sem histórico, para falta leve = forte indício de desproporcionalidade)
- Houve imediatidade da punição ou a empresa puniu semanas depois do fato? (punição tardia = perdão tácito)
- Houve dupla punição pelo mesmo fato (suspensão + dispensa)?
- Outros colegas fizeram o mesmo e não foram punidos? (tratamento desigual)
- O fato imputado é verdadeiro? — pergunta direta, em particular, com a advertência: "se for verdadeiro, eu preciso saber agora; em audiência é tarde"
- Testemunhas do fato específico: quem estava lá na hora? A defesa virá com as testemunhas dela — sem testemunha do fato, a reversão fica difícil
- O que deixou de receber: aviso, 13º, férias + 1/3, multa de 40%, FGTS, seguro-desemprego
- Quantos dias entre o fato e a dispensa? (imediatidade patronal — o espelho da pergunta 4): justa causa aplicada 3 dias após o fato foi mantida. Se a empresa puniu rápido e tem gradação documentada, a reversão perde força — num caso o TRT reformou a reversão obtida em 1º grau exatamente por isso, e ainda excluiu o dano moral de R$ 5.000. Medir esse intervalo evita ajuizar reversão fadada à reforma
Documentos — checklist
- ECarta de dispensa por justa causa (motivação escrita)
- EAdvertências e suspensões anteriores (cópias assinadas)
- ITRCT
- IProvas do episódio: câmeras (pedir exibição), mensagens, e-mails, escala do dia
- CRegulamento interno / código de conduta, se existir
Sinais de viabilidade
- Cliente confessa o fato grave na entrevista (furto, agressão, abandono comprovado) — avaliar honestamente; não ajuizar tese fadada à improcedência, com risco de má-fé
- Histórico disciplinar longo, progressivo e assinado
- Fato registrado em vídeo/documento incontestável
- Cliente que esconde as advertências anteriores — "descobrir" isso na contestação destrói a credibilidade do resto
- Punição em poucos dias do fato + gradação assinada — combinação que já reverteu vitória de 1º grau no TRT
Rescisão indireta
Perguntas obrigatórias
- Qual a falta grave do empregador? (FGTS não depositado, salário atrasado, assédio, desvio de função, ambiente de risco — art. 483 da CLT)
- Quando a falta começou e quando o cliente decidiu agir? Medir o intervalo em dias/semanas. Intervalo longo sem reação documentada = red flag central
- A falta é atual e continuada (ex.: o FGTS segue sem depósito ESTE mês)? — falta continuada mitiga a imediatidade
- O cliente reclamou formalmente (e-mail, RH, sindicato)? Tem registro?
- Ainda está trabalhando? Pretende continuar até a decisão ou afastar-se (art. 483, §3º)? — explicar os riscos de cada via
- O que exatamente está sendo descumprido agora (extratos na mão)?
Perguntas de resgate da imediatidade
Quando o caso não é "quente" mas há mitigação real — perguntar por elas antes de descartar:
- A falta é contínua e reiterada (repete-se todo mês)? — tese aceita: a imediatidade se verifica pela violação contínua
- O cliente tinha medo de perder o emprego e dependia do salário para subsistir? — o receio do trabalhador já justificou a ausência de imediatidade, afastando o perdão tácito; em dois casos a rescisão foi sustentada independentemente de imediatidade, dado o estado de necessidade
- Havia vulnerabilidade específica no período (licença-maternidade, afastamento médico)? — ajuizar durante a licença-maternidade não configurou perdão tácito
- Documentar na ficha QUAL mitigação se aplica — a inicial precisa enfrentar a tese de tolerância de frente, porque a defesa vai usá-la (num caso a ré explorou que a trabalhadora "permaneceu laborando por meses"; em outro, a falta começou em 2013 e a ação veio 11 anos depois)
Documentos — checklist
- EExtrato FGTS atualizado (a prova mais objetiva de falta grave continuada)
- IHolerites × extratos bancários (atrasos de salário)
- IReclamações escritas ao empregador/RH/sindicato
- IProva do assédio, se for o fundamento (mensagens, testemunhas, atestados psicológicos)
Sinais de viabilidade
Vínculo / pejotização
#vinculo já ativa na navegação.Insalubridade / periculosidade
#insalubridade já ativa na navegação.Verbas rescisórias
#verbas já ativa na navegação.Acúmulo / desvio de função
#acumulo-funcao já ativa na navegação.Direito de Família Exclusivo para mulheres
Atendimento de Direito de Família da Jean Paiva Advocacia é exclusivo para clientes mulheres. Cobre divórcio, guarda, alimentos, união estável, partilha, violência doméstica e temas correlatos. A lógica de qualificação é a mesma das demais áreas — muda apenas o modelo comercial: a reunião de análise com o(a) advogado(a) é paga.
Como a reunião paga muda o fechamento
Nestas duas áreas o objetivo do closer não é "fechar contrato direto": é confirmar e agendar a reunião paga de análise. O contrato da ação (quando cabível) nasce depois, na própria reunião com o(a) advogado(a).
As fichas abaixo trazem perguntas, documentos e sinais. As taxas de êxito devem ser preenchidas pelo escritório com o próprio histórico (não há número inventado aqui).
Divórcio (consensual e litigioso)
Perguntas obrigatórias
- Casamento ou união estável? Data e regime de bens (comunhão parcial, universal, separação, participação final)?
- Há acordo entre as partes sobre tudo (bens, filhos, alimentos) ou há pontos em disputa?
- Há filhos menores ou incapazes? (define se pode ser extrajudicial em cartório ou tem de ser judicial)
- Há bens a partilhar? Quais, em nome de quem, com que ônus (financiamento, hipoteca)?
- Há violência, ameaça ou risco? (aciona medidas protetivas no mesmo dia)
- O outro cônjuge está localizável? Concorda com o divórcio?
- Há necessidade de alimentos para a cliente ou para os filhos?
- A cliente quer voltar a usar o nome de solteira?
Documentos a solicitar
- ECertidão de casamento atualizada (ou prova da união estável)
- EDocumentos pessoais da cliente (RG, CPF, comprovante de residência)
- ECertidão de nascimento dos filhos
- IPacto antenupcial, se houver
- IDocumentos dos bens (matrícula de imóvel, CRLV, extratos, contrato social de empresa)
- IComprovantes de renda de ambos (base para alimentos)
- CProvas de eventual conduta relevante (mensagens, e-mails)
Sinais de viabilidade
- Não condicionar o divórcio à partilha — pode-se divorciar primeiro e partilhar depois (Súmula 197/STJ). Alertar a cliente para não travar a liberdade dela por causa de bens.
- Prazo dos alimentos e da partilha corre — não deixar "para depois" indefinidamente sem registro no CRM.
Guarda de filhos (unilateral, compartilhada e alteração)
Perguntas obrigatórias
- Idade dos filhos e com quem residem hoje, na prática?
- Existe decisão ou acordo anterior de guarda? Está sendo cumprido?
- Qual o pedido: guarda compartilhada, unilateral ou alteração da atual? Por quê?
- Há fato que desabone o outro genitor (negligência, violência, abuso, dependência química)? Há prova?
- Como é a rotina real de cuidado: quem leva à escola, ao médico, quem acompanha o dia a dia?
- Há risco de subtração/retirada da criança para outra cidade ou país?
- Qual a situação dos alimentos e da convivência (visitas)?
Documentos a solicitar
- ECertidão de nascimento dos filhos
- EComprovante de residência e da rotina da criança (escola, médico)
- IDecisão/acordo de guarda anterior, se houver
- IProvas do que se alega (mensagens, boletins de ocorrência, laudos, relatórios escolares)
- CTestemunhas da rotina de cuidado (nomes, contatos)
Sinais de viabilidade
Pensão alimentícia (fixação, revisão e execução)
Perguntas obrigatórias
- Alimentos para quem: filhos, a própria cliente (ex-cônjuge) ou ambos?
- Já existe valor fixado? Está sendo pago? Desde quando deixou de pagar?
- Qual a necessidade real (despesas dos filhos/da cliente) e a possibilidade do devedor (renda, patrimônio, padrão de vida)?
- O devedor é assalariado (desconto em folha) ou autônomo/informal (mais difícil de comprovar renda)?
- Pedido: fixar, aumentar, reduzir ou executar dívida atrasada?
- Quantos meses estão em atraso? (define rito: prisão para as 3 últimas / penhora para as demais)
Documentos a solicitar
- ECertidão de nascimento (vínculo) ou prova do dever alimentar
- EComprovantes das despesas (escola, saúde, moradia, alimentação)
- IProvas da renda/padrão de vida do devedor (holerite, redes sociais, veículos, empresa)
- EDecisão/acordo anterior de alimentos, se houver
- IComprovante dos pagamentos feitos/não feitos (extratos)
Sinais de viabilidade
União estável — reconhecimento e dissolução
Perguntas obrigatórias
- Desde quando viviam juntos? Havia convivência pública, contínua e duradoura com intenção de família?
- Há filhos em comum? Endereço comum? Contas conjuntas?
- Existe contrato de convivência ou escritura de união estável? Definia regime de bens?
- O objetivo é: reconhecer a união (inclusive post mortem, para herança/pensão), dissolver, ou partilhar bens?
- Que bens foram adquiridos durante a união e em nome de quem?
- A outra parte reconhece a união ou nega?
Documentos — prova da união em camadas
- EEscritura/contrato de união estável, se houver (camada mais forte)
- IComprovantes de endereço comum (contas em nomes distintos, mesmo endereço)
- ICertidão de nascimento de filhos em comum
- IPlano de saúde, seguro, IR com o(a) companheiro(a) como dependente/beneficiário(a)
- IConta bancária conjunta, financiamentos, contrato de aluguel conjunto
- CFotos datadas, mensagens, redes sociais, convites
- I3+ testemunhas (não parentes)
- EDocumentos dos bens adquiridos na constância da união
Sinais de viabilidade
Partilha de bens
Perguntas obrigatórias
- Qual o regime de bens do casamento/união?
- Que bens existem: imóveis, veículos, empresa, aplicações, dívidas? Em nome de quem?
- Quais foram adquiridos antes e quais durante a relação? Houve herança/doação no meio?
- Há bens ocultos, transferidos a terceiros ou "esvaziados" pela outra parte?
- Há empresa a avaliar (apuração de haveres)?
- Existe acordo possível sobre a divisão ou é litígio total?
Documentos a solicitar
- EMatrículas dos imóveis, CRLV dos veículos
- EContrato social e balanços, se houver empresa
- IExtratos bancários, de investimentos e de dívidas
- IComprovantes da data e origem de aquisição de cada bem
- CIndícios de ocultação (transferências suspeitas, novos titulares)
Sinais de viabilidade
Violência doméstica / Medidas protetivas (Lei Maria da Penha)
Perguntas obrigatórias — com acolhimento, sem pressa
- Existe risco imediato agora? A cliente está em local seguro?
- Que tipo de violência (física, psicológica, moral, sexual, patrimonial)? Desde quando?
- Já registrou boletim de ocorrência? Já pediu medida protetiva antes?
- Há filhos envolvidos ou expostos à violência?
- Há provas (mensagens, áudios, fotos de lesões, testemunhas, laudos)?
- Convivem sob o mesmo teto? Há dependência financeira do agressor?
Documentos / provas
- EBoletim de ocorrência, se já houver
- EProvas da violência (prints de mensagens/áudios, fotos, laudos, atestados)
- INomes e contatos de testemunhas
- IDocumentos dos filhos e comprovante de residência
Sinais de viabilidade
Reconhecimento / investigação de paternidade
Perguntas obrigatórias
- O pai consta na certidão? O objetivo é reconhecer, investigar ou anular?
- O suposto pai é vivo? Reconhece ou nega a paternidade?
- Há relação socioafetiva a reconhecer (quem criou como pai/mãe)?
- Há disposição para exame de DNA? (recusa gera presunção — Súmula 301/STJ)
- Busca-se também alimentos e/ou efeitos sucessórios (herança)?
- Se o suposto pai já faleceu: há herdeiros para figurar no polo passivo?
Documentos a solicitar
- ECertidão de nascimento atual
- IProvas do relacionamento dos genitores / da socioafetividade (fotos, mensagens, testemunhas)
- CDados do suposto pai (qualificação, endereço) ou dos herdeiros, se falecido
Sinais de viabilidade
Alienação parental
Perguntas obrigatórias
- Que condutas ocorrem (desqualificar o outro genitor, dificultar convivência, falsas acusações, mudança de endereço para afastar)?
- Com que frequência e desde quando? Há registro (mensagens, testemunhas, relatórios)?
- A convivência está sendo obstruída na prática? Como?
- Há decisão de guarda/convivência sendo descumprida?
- Há impacto observável na criança (recusa súbita, discurso "adultizado")?
Documentos / provas
- EProvas das condutas (mensagens, e-mails, áudios, testemunhas)
- IDecisão de guarda/convivência vigente
- IRelatórios escolares, psicológicos, registros de tentativas de contato frustradas
Sinais de viabilidade
Alimentos gravídicos
Perguntas obrigatórias
- Tempo de gestação (a ação é durante a gravidez)?
- Há indícios de paternidade (relacionamento, mensagens, testemunhas)? — a lei exige apenas indícios, não prova cabal (Lei 11.804/2008)
- Quais as despesas da gestação (pré-natal, exames, parto, alimentação especial)?
- Qual a capacidade financeira do suposto pai?
- O suposto pai é localizável?
Documentos a solicitar
- EComprovante da gravidez (exame/laudo com tempo gestacional)
- IIndícios do vínculo com o suposto pai (mensagens, fotos, testemunhas)
- IComprovantes das despesas da gestação
Sinais de viabilidade
Regulamentação de convivência (visitas)
Perguntas obrigatórias
- Qual a convivência atual e qual a pretendida (dias, horários, férias, datas festivas)?
- Há acordo possível ou o outro genitor obstrui/impõe condições?
- Há risco que justifique visita assistida (supervisionada)?
- Distância entre as residências? Quem faz o transporte da criança?
- Há descumprimento de convivência já fixada? (cabe multa/astreintes)
Documentos a solicitar
- IAcordo/decisão de convivência anterior, se houver
- IRegistros de tentativas de contato e de obstrução
- CProvas de eventual risco (para pleitear visita assistida)
Sinais de viabilidade
Direito das Sucessões
Área para todos os públicos (homens e mulheres). Cobre inventário, partilha, testamento, herança e planejamento sucessório. Mesmo modelo comercial da área de Família: a reunião de análise com o(a) advogado(a) é paga.
Inventário e partilha (judicial e extrajudicial)
Perguntas obrigatórias
- Data do óbito? Já se passaram mais de 60 dias? (multa do ITCMD)
- O falecido deixou testamento? (a existência muda o rito)
- Quem são os herdeiros? Há menores ou incapazes? (se houver, o inventário tem de ser judicial)
- Todos os herdeiros concordam com a partilha? Há conflito?
- Havia cônjuge/companheiro(a)? Qual o regime de bens? (define meação + herança)
- Que bens e dívidas existem (imóveis, contas, veículos, empresa, previdência)?
- Já foi feito algum inventário antes / há bens não inventariados? (sobrepartilha)
- Algum herdeiro recebeu doações em vida? (colação)
Documentos a solicitar
- ECertidão de óbito
- EDocumentos pessoais do falecido e de todos os herdeiros
- ECertidão de casamento/união e de nascimento dos herdeiros (prova do vínculo)
- EDocumentos dos bens: matrículas de imóveis, CRLV, extratos, contrato social, saldos de FGTS/PIS/previdência
- ICertidões negativas de débitos (imóveis, tributos)
- ITestamento, se houver
- CComprovantes de dívidas do espólio
Sinais de viabilidade / rito
Arrolamento (sumário e comum)
Perguntas obrigatórias
- Todos os herdeiros são maiores, capazes e concordam? (arrolamento sumário)
- Qual o valor total dos bens? (arrolamento comum é cabível até o teto legal, ainda que haja incapaz)
- Há acordo sobre a partilha já formalizado?
- Situação do ITCMD (pode ser recolhido/discutido conforme o rito)?
Documentos a solicitar
- EMesma base documental do inventário (óbito, herdeiros, bens)
- EPlano de partilha acordado entre os herdeiros
- IGuia/comprovante do ITCMD conforme o rito
Sinais de viabilidade
Testamento (elaboração e cumprimento)
Perguntas obrigatórias
- O objetivo é elaborar um testamento ou cumprir/abrir um já existente?
- Se elaborar: há herdeiros necessários (descendentes, ascendentes, cônjuge)? — só metade (a disponível) pode ser destinada livremente
- Quais bens e a quem se pretende destinar? Há vontade de deixar a um companheiro(a), enteado, instituição?
- Há preocupação com capacidade/higidez mental do testador? (prevenir anulação)
- Se cumprir: qual a forma (público, cerrado, particular)? Está registrado?
Documentos a solicitar
- EDocumentos pessoais do testador e relação dos bens
- ERelação de herdeiros necessários
- ITestamento existente e certidão de óbito (no cumprimento)
- CAtestado de sanidade, quando prudente (prevenção)
Sinais de viabilidade
Petição de herança (herdeiro preterido)
Perguntas obrigatórias
- Por que o cliente foi excluído da herança (não reconhecido, ignorado, inventário feito sem ele)?
- A condição de herdeiro está comprovada ou depende de reconhecimento de paternidade?
- O inventário já foi encerrado? Os bens já foram partilhados/vendidos a terceiros?
- Data do óbito (prazo prescricional de 10 anos; e do reconhecimento, se for o caso)?
Documentos a solicitar
- EProva da condição de herdeiro (certidão, ou base para investigação de paternidade)
- ECertidão de óbito e dados do inventário já realizado
- IDocumentos dos bens do espólio e da partilha feita
Sinais de viabilidade
Sonegados e colação
Perguntas obrigatórias
- Algum herdeiro recebeu doação em vida do falecido? O quê e quando? (deve ser trazido à colação)
- Há bens do falecido ocultados por quem administra o inventário (sonegação)?
- Há indícios de transferências simuladas para esvaziar a herança?
- O inventariante prestou contas? Recusa-se a incluir algum bem?
Documentos / provas
- EProvas das doações em vida (escrituras, transferências, extratos)
- IIndícios dos bens ocultados (matrículas, veículos, contas)
- CTestemunhas do patrimônio do falecido
Sinais de viabilidade
Deserdação e indignidade
Perguntas obrigatórias
- Qual a causa alegada (atentado à vida, ofensa grave, abandono, injúria — arts. 1.814 e 1.962/1.963 do CC)?
- Há prova/registro do fato (B.O., processo criminal, testemunhas)?
- Se deserdação: existe testamento expressando a causa? (é requisito)
- Quem tem interesse em promover a ação e em que prazo (4 anos, na indignidade)?
Documentos / provas
- ETestamento com a causa expressa (deserdação)
- EProva do fato (B.O., sentença criminal, documentos, testemunhas)
Sinais de viabilidade
Sobrepartilha
Perguntas obrigatórias
- Que bem ficou de fora do inventário já encerrado (imóvel, conta, cota de empresa, bem descoberto depois)?
- Por que ficou de fora (desconhecido, sonegado, em local distante, litigioso)?
- Quem são os herdeiros e como foi a partilha original?
Documentos a solicitar
- ECópia do inventário/partilha já realizado
- EDocumento do bem novo a partilhar
Sinais de viabilidade
Inventário negativo
Perguntas obrigatórias
- O falecido deixou dívidas mas nenhum bem? (objetivo: declarar a inexistência de bens)
- Herdeiro precisa comprovar que nada há a partilhar (ex.: para se casar em certos regimes, afastar cobrança)?
- Há credores cobrando os herdeiros?
Documentos a solicitar
- ECertidão de óbito e documentos dos herdeiros
- ICertidões negativas demonstrando a ausência de bens
- CDocumentos das dívidas/cobranças, se houver
Sinais de viabilidade
Planejamento sucessório (doações, usufruto, holding familiar)
Perguntas obrigatórias
- Qual o patrimônio e a composição da família (herdeiros, cônjuge, filhos de relações diferentes)?
- Objetivo: reduzir custo/conflito do futuro inventário, proteger patrimônio, organizar sucessão de empresa?
- Há interesse em doação com reserva de usufruto e cláusulas (incomunicabilidade, impenhorabilidade, reversão)?
- Há empresa/imóveis que justifiquem holding familiar?
- Há herdeiro com necessidade especial de proteção?
Documentos a solicitar
- ERelação de bens e da estrutura familiar
- IDocumentos dos imóveis e contratos sociais de empresas
- CObjetivos e preocupações específicas do cliente
Sinais de viabilidade
Compliance e fontes
- OAB — Provimento 205/2021: proibição de captação ativa e de promessa de resultado. Nenhuma taxa de êxito é apresentada ao lead; é histórico interno de triagem.
- Código de Ética da OAB: vedação a captação indevida, mercantilização e concorrência desleal. Publicidade sempre informativa e sóbria.
- Responsável técnico: Jean Lima de Paiva Junior — OAB/MA 18.618. A análise e a decisão jurídica de cada caso são sempre do advogado.
- Reuniões pagas (Família e Sucessões): R$ 300 virtual / R$ 400 presencial (presencial exclusivo para São Luís/MA), a título de consultoria/análise.